segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Doida

A Noite passa, noivando.
Caem ondas de luar
Lá passa a doida cantando
Num suspiro doce e brando
Que mais parece chorar!

Dizem que foi pela morte
D´alguém, que muito lhe quis,
Que endoideceu. Triste sorte !
Que dor tão triste e tão forte!
Como um doido é infeliz!

Desde que ela endoideceu,
(Que triste vida, que mágoa!)
Pobrezinha, olhando o céu,
Chama o noivo que morreu,
Com os olhos rasos d´água!

E a noite passa, noivando.
Passa noivando o luar:
"Num suspiro doce e brando,
Pobre doida vai cantando
Que esse teu canto é chorar!"

Florbela Espanca

Poetas

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!

Florbela Espanca

Ultimamente tenho reclamado muito, mas tudo bem ai vai, ando com um bloqueio pra escrever, e isso vem muitas vezes da opiniões alheia, deviamos nos preocupar menos com ela mas isso não acontece tenho me afastado muito dessas criaturas vampirescas, que só sabem falar mal das coisa ou colocar os outros pra baixo.

Quando resolvi fazer esse blog, foi por farra, na faculdade, sem dar muita importancia, e fui levando a sério esse foi meu erro, por que dai vem as poucas opiniões malditas, dizem que é necessario ter talento pra escrever, como se não soubesse disso, outros dizem que é necessario ter profundidade nos textos.

Tudo bosta, vão todos as merda.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

SAUDADE

És a filha dilecta da noss´alma
Da noss´alma de sonho e de tristeza,
Andas de roxo sempre, sempre calma
Doce filha da gente portuguesa!

Em toda a terra do meu Portugal
Te sinto e vejo, toda suavidade
Como nas folhas tristes dum missal
Sente Deus! E tu és Deus, saudade!...

Andas nos olhos negros, magoados
Das frescas raparigas. Namorados
Conhecem-te também, meu doce ralo!

Também te trago n´alma dentro em mim
E trazendo-te sempre, sempre assim,
É bem a Pátria q´rida que eu embalo!

Florbela Espanca

Marasmo...


Que merda!

nasce o dia

você levanta

olha no espelho


cabelo despenteado

olho remelento

bafo


toma banho

escova os dentes

pelo menos o que resta deles


se veste

toma café

vai pro trabalho

entra num onibus vazio

nele encontra pessoas que cheiram mal

e por falta de espaço, você é obrigado a ficar juntinho

quase intimo.

por não ter como passar, desce dois pontos depois do ponto de destino.

vai pro escritorio

muito trabalho

muito estresse

almoço.

Ufa!!!

vem chegando a hora de voltar pra casa

volta pro trabalho

e o que parecia ter acabado se multiplica

pilhas de documento e problemas brotaram na minha frente.

pega um documento

outro

mais um

pausa pro café

mais um

pausa pro banheiro

hora de ir embora

final de tarde

onibus mais cheio que antes

pessoas se cotovelando

as pessoas que fediam de manhã

agora era impossivel

ficar proximo

mas é inevitavel

Alguém grita

- Vai desce filho da puta, motorista do caralho presta atenção seu arrombado.

esse é o mundo feliz que vivemos.

chego em casa

tiro a roupa, fico avontade, pega alguma coisa pra beliscar

vou pra frente da televisão

nada pra assitir

ninguém pra conversar

mais uma sexta-feira

nada acontece.

vou dormir.