sábado, 30 de maio de 2009

Florbela Espanca


" O meu talento!

De que me tem servido? Não trouxe nunca àsminhas mãos vazias a mais pequena esmola do destino. Até hoje não há ninguém que de mim se tenha aproximado que não me tenha feito mal. Talvez culpa minha, Talvez... O meu mundo não é como o dos outros; quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde onde está, que tem saudades ... sei lá de quê!"


Florbela Espanca

domingo, 17 de maio de 2009

Demais


Maysa
(Tom Jobim e Aloysio de Oliveira)

Todos acham que eu falo demais

E que eu ando bebendo demais

Que essa vida agitada não serve pra nada

Andar por aí bar em bar, bar em bar

Dizem até que ando rindo demais

E que conto anedotas demais

Que eu não largo o cigarro e dirijo o meu carro

Correndo, chegando, no mesmo lugar

Ninguém sabe é que isso acontece porque

Vou passar toda a vida esquecendo você

E a razão porque vivo esses dias banais

É porque ando triste, ando triste demais

E é por isso que eu falo demais

É por isso que eu bebo demais

E a razão porque vivo essa vida agitada demais

É porque meu amor por você é imenso

O meu amor por você é tão grande

(É porque) Meu amor por você é enorme demais

sábado, 16 de maio de 2009

Fim de Caso

Fim de Caso
Maysa
Composição: dolores duran


Eu desconfio

Que o nosso caso está na hora de acabar

Há um adeus em cada gesto em cada olhar

Mas nós não temos é coragem de falar

Nos já tivemos

A nossa fase de carinho apaixonado

De fazer versos

De viver sempre abraçados

Naquela base do só vou se você for

Mas de repente a gente briga

Diz tanta coisa que não quer dizer

Briga pensando que não vai sofrer

Que não passa mal se tudo terminar

Mas de repente

Fomos ficando cada dia mais sozinhos

Embora juntos cada qual tem seu caminho

E já não temos nem vontade de brigar

Tenho pensado

E Deus permita que eu esteja errada

Mas, eu estou

Eu estou desconfiada

Que o nosso caso está na hora de acabar

Se eu soubesse

Naquele dia o que sei agora

Teus Ciúmes

Teus Ciúmes
Dalva de Oliveira


Condeno os teus ciúmes
que mataram nosso amor
razão dos meus queixumes
causa cruel desta dor
condeno os teus ciúmes
que me crucificaram
e me dilaceraram o coração
que era imensidão
da minha solidão
olhando meu passado
muito triste vejo então
o livro desfolhado
que só me foi ilusão
e lembro o nosso amor
um sonho encantador
naquele tempo lindo
que eu julgava
infindo
na minha vida
em calma
no embaçado espelho de minh'alma
eu vejo os teus ciúmes
a revolver ferido
meu coração
e assim me destruindo
sinto os teus ciúmes
vêm me perseguindo...
Olhando meu passado
muito triste vejo então
o livro desfolhado
que só me foi ilusão
e lembro o nosso amor
um sonho encantador
naquele tempo lindo
que eu julgava
infindo

terça-feira, 5 de maio de 2009

Um Amigo


UM AMIGO
Danuza Leão
Eu quero ter uma amigo que não saiba de nenhuma dessas coisas que todo mundo acha que tem que saber. Que aprecie um bom prato, mas que não tenha conhecimento sobre a alta gastronomia e que nunca tenha ouvido falar no restaurante El Bulli. Esse homem deve ser tão mal informado que nem sabe que existe pessoas que pagam a outras pessoas para escolher móveis, quadros, tapetes, objetos e lençóis da casa onde vão morar.
Na sala desse homem deve existir apenas uma estante, um sofá e uma poltrona forrados do mesmo tecido, talvez um abajur de pé e um piano com uma flanela sobre as teclas. Não que ele saiba tocar, é apenas o piano da família que foi ficando porque ninguém mais quis (e quando alguém passa levanta a tampa e pressiona uma ou duas teclas assim, para nada, no Maximo toca o bife). Faz bem ter um piano numa casa.
Ele nunca terá ouvido falar de nenhuma grife ou marca de relógio, mas conhece o vento, sabe quando o tempo vai mudar e sabe também quando alguém está alegre, triste ou com medo, que seja gente ou bicho.
Eu quero um amigo que identifique o aroma das flores e não o dos perfumes dos frascos, que ache bonito uma mulher com quadris largos e seios fartos e dê valor à bondade. Um amigo capaz de ficar muito tempo calado, olhando o mar ou a mata, ouvindo os ruídos da natureza e o silencio, que conheça as estrelas pelo nome e que sempre, antes de se deitar, vá olhar o céu para saber se no dia seguinte vai chover ou fazer sol.
Um amigo de quem os bichos e as crianças gostassem logo à primeira vista, que chegasse sempre na hora certa – que não seria nunca a mesma -, e que fosse embora na hora que tivesse que ir, só por sensibilidade. Um amigo cuja presença trouxesse calma e harmonia da, e perto de quem não se teria medo de nada, nem quando falta luz, nem de cobra, nem da maldade dos homens.
Eu quero ter um amigo, só um que não saiba o nome de nenhum vinho, mas que de vez em quando tome uma bebida muito forte; que nunca tenha ouvido falar de trufas, nem brancas nem pretas, que não saiba quais são os homens mais ricos do mundo da revistam “Forbes” e que as vezes chegasse com um peixe enrolado num jornal, um peixe bem fresco que ele não resistiu e comprou para ser feito no forno regado por um honesto azeite português, como antigamente.
Esse homem teria um sorriso muito franco e muito doce e muito bom, daqueles em que você acreditaria por saber que é de verdade; ele seria uma pessoa de quem nunca, nunca se desconfiaria, até porque ele nunca mentiu nem fingiu, porque nunca teve nenhuma razão para isso. Aliás, pensando bem, porque será que as pessoas mentem e fingem?
Esse homem teria um carro meio velho, um só suéter e um só paletó para os dias mais frios e teria poucos amigos, mas amigos que contariam com ele incondicionalmente. Ele entenderia da alma humana sem nunca ter lido Freud, não seria ligado em datas e conheceria um pouco de botânica sem nunca ter estudado, só porque acha a natureza uma coisa muito interessante, mais do que quase tudo.
Eu quero um amigo capaz de me surpreender, e que as vezes se surpreendesse com minhas bobagens. Eu quero ser muito amiga desse homem, quero uma amizade em que não haja competição de futilidades, um dizendo que conhece uma aldeia no interior da Tanzânia, o outro rebatendo com um acampamento no Quênia, um falando do caviar fresco do Irã e o outro de um hotel seis estrelas que só pouquíssimos conhecem, por que essas conversas são muito cansativas e sempre iguais.
Ah, como eu queria ter um amigo assim, e se ele fosse mais do que um amigo, melhor ainda.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Mundo virtual II


Amor Virtual
Será possível você conhecer uma pessoa através de uma tela de computador, sentir por ela uma coisa estranha, um frio na barriga, uns calafrios, tremor nas pernas, palpitações, taquicardia. Conversar e enxergar outro sua metade, só pensar nessa pessoa, sentir o cheiro dela, sentir o gosto sem nunca tê-la visto de perto, tê-la tocado, ou mesmo cheirado.
O que será isso? Como se explicar essas sensações?
Será possível amar alguém que você não sabe se é real?
Se houver mais algum questionamento eu volto.
Bjs a todos